Espaço da Fátima

Gostaria tanto que essa fosse uma das minha idas a São Paulo, correndo na semana ou quando ela passava os finais de semana em Sorocaba, hoje só resta mesmo as lembranças e as conversas em um local em que não podemos puxar uma cadeira ou mesmo estarmos na rede num final de tarde para tomarmos um café, conversarmos e rirmos ou mesmo ela ,me dizendo que precisava acordar pq o mundo não é cor de rosa como acho que é ou espero que seja….

Como é difícil conversar sem estar perto ou ver seu rosto, seu sorriso…

-Querida Mãe,

Sei que vou ter muitas saudades sua;  mas não penses que  vou esquecer de ti, ou que vou deixar de te amar só porque não estou por perto para dizer:”AMO-TE”. Eu vou sempre amar-te cada vez mais, Mãe, por cada dia que passe.
Um dia vamos estar juntos de novo. Mas até chegar esse dia eu vou levanto, deixando as lembranças tomarem conta dos dias que me angustiam e que vc não esta presente, para rirmos juntas, chorarmos juntas. Todos nós: o Pai, a Bah, a Ste e o Fe, pensamos sempre em vc, falamos sempre em vc, agradecemos a Deus por vc ter estado em nossas vidas pq não podia ser de outra forma e nem ser outra pessoa, tinha que ser a MÃE  parte de nossas vidas.

Mesmo discordando de algumas atitudes nossas, não deixou de nos apoiar e mesmo nos ajudar quando praticamos essas atitudes que tu discordava e que como disse deu errado.

 

SAUDADES SEMPRE SEM FIM…..

 

Para meus amigos que estão…SOLTEIROS
O amor é como uma borboleta. Por mais que tente pegá-la, ela fugirá.
Mas quando menos esperar, ela está ali do seu lado.
O amor pode te fazer feliz, mas às vezes também pode te ferir.
Mas o amor será especial apenas quando você tiver o objetivo de se dar somente a um alguém que seja realmente valioso. Por isso, aproveite o tempo livre para escolher .

Para meus amigos…NÃO SOLTEIROS
Amor não é se envolver com a “pessoa perfeita”, aquela dos nossos sonhos.
Não existem príncipes nem princesas.
Encare a outra pessoa de forma sincera e real, exaltando suas qualidades, mas sabendo também de seus defeitos.
O amor só é lindo, quando encontramos alguém que nos transforme no melhor que podemos ser.

Para meus amigos que gostam de…PAQUERAR
Nunca diga “te amo” se não te interessa.
Nunca fale sobre sentimentos se estes não existem.
Nunca toque numa vida, se não pretende romper um coração.
Nunca olhe nos olhos de alguém, se não quiser vê-lo derramar em lágrimas por causa de ti.

A COISA MAIS CRUEL QUE ALGUÉM PODE FAZER É PERMITIR QUE ALGUÉM SE APAIXONE POR VOCÊ, QUANDO VOCÊ NÃO PRETENDE FAZER O MESMO.

Para meus amigos…CASADOS.
O amor não te faz dizer “a culpa é”, mas te faz dizer “me perdoe”.
Compreender o outro, tentar sentir a diferença, se colocar no seu lugar.
Diz o ditado que um casal feliz é aquele feito de dois bons perdoadores.
A verdadeira medida de compatibilidade não são os anos que passaram juntos;
mas sim o quanto nesses anos vocês foram bons um para o outro.

Para meus amigos que têm um CORAÇÃO PARTIDO
Um coração assim dura o tempo que você deseje que ele dure, e ele lastimará o tempo que você permitir.
Um coração partido sente saudades, imagina como seria bom, mas não permita que ele chore para sempre.
Permita-se rir e conhecer outros corações.
Aprenda a viver, aprenda a amar as pessoas com solidariedade, aprenda a fazer coisas boas, aprenda a ajudar os outros, aprenda a viver sua própria vida.

A DOR DE UM CORAÇÃO PARTIDO É INEVITÁVEL, MAS O SOFRIMENTO É OPCIONAL!
E LEMBRE-SE: É MELHOR VER ALGUÉM QUE VOCÊ AMA FELIZ COM OUTRA PESSOA, DO QUE VÊ-LA INFELIZ AO SEU LADO.

Para meus amigos que são…INOCENTES.
Ela(e) se apaixonou por ti, e você não teve culpa, é verdade.
Mas pense que poderia ter acontecido com você. Seja sincero, mas não seja duro; não alimente esperanças, mas não seja crítico; você não precisa ser namorado(a), mas pode descobrir que ela(e) é uma ótima pessoa e pode vir a se tornar uma(um) grande amiga(o).

Para meus amigos que tem MEDO DE TERMINAR.
As vezes é duro terminar com alguém, e isso dói em você.
Mas dói muito mais quando alguém rompe contigo, não é verdade?
Mas o amor também dói muito quando ele não sabe o que você sente.
Não engane tal pessoa, não seja grosso(a) e rude esperando que ela(e) adivinhe o que você quer.
Não a (o) force terminar contigo, pois a melhor forma de ser respeitado é respeitando.

Pra terminar …

Eterno, é tudo aquilo que dura uma fração de segundo, mas com tamanha intensidade, que se petrifica, e nenhuma força jamais o resgata….
Um dia descobrimos que beijar uma pessoa para esquecer outra, é bobagem.Você não só não esquece a outra pessoa como pensa muito mais nela…
Um dia descobrimos que se apaixonar é inevitável…
Um dia percebemos que as melhores provas de amor são as mais simples…
Um dia percebemos que o comum não nos atrai…
Um dia saberemos que ser classificado como o “bonzinho” não é bom . .
Um dia perceberemos que a pessoa que nunca te liga é a que mais pensa em você…
Um dia percebemos que somos muito importante para alguém, mas não damos valor a isso…
Um dia percebemos como aquele amigo faz falta, mas ai já é tarde demais…
Enfim…
Um dia descobrimos que apesar de viver quase um século esse tempo todo não é suficiente para realizarmos todos os nossos sonhos, para dizer tudo o que tem que ser dito…
O jeito é: ou nos conformamos com a falta de algumas coisas na nossa vida ou lutar para realizar todas as nossas loucuras…
Quem não compreende um olhar tampouco compreenderá uma longa explicação.

Martha Medeiros

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A Dor da Perda

 

Não existem palavras, línguas, gestos ou mesmo pensamentos que possam expressar a dor da perda. Ela é tão profundamente dolorida e fere a alma com esmero desmedido, cortando lenta e dolorosamente com o lado cego da faca.

A dor é fenomenal, incrívelmente dor, extraordinariamente dor, fatalmente dor. É dor, dor, dor, somente dor. E não cede, não acalma, não dá trégua. E a alma se contorce, revolve, chora, berra e geme em lamentos surdos, que tomam o corpo, que fazem cambalear e entontecer o espírito.

A dor da perda não tem som, não tem voz, e invade o âmago do ser silenciosa e cruelmente fazendo doer e adoecer o corpo. Massacra a alma a tal ponto de tudo ao redor perder o sentido. Tudo. Tudo perder o sentido e o brilho da vida.

Os olhos olham mas nada vêem, os ouvidos ouvem sem nada ouvir, os braços caem sem sentir qualquer amparo, qualquer sussurro de compreenssão, de entendimento. Somente o gosto do sangue da dor é percebido no fundo do coração que sangra, falece e se afunda no fundo da terra, do pó.

E tudo vira dor profunda e cortante como o fio de uma navalha. Os sentidos perdem a razão de ser. Robotizamos o corpo e caminhamos, perdidos e anestesiados de lá prá cá, de cá prá lá, desnorteados, confundidos, atordoados e completamente perdidos de nós mesmos. Esquecidos de tudo e de todos, menos da dor que rasga, dói e arranha o coração até o sangue jorrar em lágrimas profusas e gritos inaudíveis.

A dor da perda cala fundo e faz sepultura da alma onde desejamos ardentemente nos enterrar, em silêncio absoluto, em escuridão infinda, em adormecer eterno. Faz desejar a morte e buscar o fim de tudo, inclusive de si mesmo, para calar… a dor…

Não existem palavras que definam a intensidade da dor da perda. Ela é tão incrivelmente dor que perdemos a definição e a expressão do que sentimos. Nada mais importa. Nada. A dor da perda é pesada demais. Impossível de se carregar solitariamente.

Por isso, por tudo isso, havemos de buscar forças para suportar a dor da perda, por mais profunda, pungente e dolorida que seja, por mais aterradora e insensível…

Havemos de nos resguardar da dor, de acordar e lutar para viver, mesmo a alma em soluços, mesmo que o espírito, anestesiado pela dor, perca a vontade de lutar e continuar a viver… havemos de nos resgardar da dor no alento dos braços do amor, que é o único que torna possível tudo, por ele, com ele, suportar…

Eu queria escrever sobre saudade, mas não seria justo falar que sinto saudades de você. Queria escrever sobre o amor, mas não tenho motivos. – A onde é que você está agora?
Quando eu estou triste, não tenho mais para quem ligar. Quando estou feliz, não tenho mais com quem dividir. – Você sumiu, e levou consigo uma parte de mim. – Minhas mudanças de humor aumentaram, estou triste e de repente qualquer coisa me faz sorrir, porém o sorriso não é verdadeiro.
 
– hoje o dia estava lindo, quente com uma leve brisa e um sol deslumbrante tipico dia de primavera(apesar de ser inverno), bem os dias que ela mais gostava. Mas não consegui achar o deslumbre, apenas lembrar de tudo que faziamos juntas como; o almoços de domingos, as conversas(como diriam meu filhos "as fofocas") de final da tarde balançando na rede, os cafés com batata doces quentes, tantas outras coisas inclusive quando iamos na missa, coisa que não faziamos mais por causa da correria da vida, mas mesmo assim não estavamos distantes. Não consigo mais achar a alegria de moentos comuns.
 
 
"AS COISAS ACONTECEM NA HORA CERTA, EXATAMENTE QUANDO DEVEM ACONTECER"
 
Será???? Será que há hora certa para momentos dolorosos, perda subítas…tristezas…
 

Se a morte, ou a finitude de tudo é o que de mais certo termos, porque não a aceitamos como natural?

Será a consciência do eterno?

De que somos imortais?

De que vivemos como se nunca fossemos morrer?

De que a morte só ocorre com o outro? As explicações se multiplicam. De alguma forma fugimos desesperadamente da dor, porém, vez ou outra inevitavelmente caímos em seus braços como presas indefesas. Indefesos porque não somos preparados para as “armadilhas” da vida, para as perdas e mortes.

Como é possível lidar com perdas sem, no entanto, se perder junto?

 

CASAMENTO

Naquela noite, enquanto minha esposa servia o jantar, eu segurei sua mão e disse: "Tenho algo importante para te dizer". Ela se sentou e jantou sem dizer uma palavra. Pude ver sofrimento em seus olhos.


De repente, eu também fiquei sem palavras. No entanto, eu tinha que dizer a ela o que estava pensando. Eu queria o divórcio. E abordei o assunto calmamente.


Ela não parecia irritada pelas minhas palavras e simplesmente  perguntou em voz baixa: "Por quê?"


Eu evitei respondê-la, o que a deixou muito brava. Ela jogou os talheres longe e gritou "você não é homem!" Naquela noite, nós não conversamos mais. Pude ouví-la chorando. Eu sabia que ela queria um motivo para o fim do nosso casamento. Mas eu não tinha uma resposta satisfatória para esta pergunta. O meu coração não pertencia a ela mais e sim  a Jane. Eu simplesmente não a amava mais, sentia pena dela.


Me sentindo muito culpado, rascunhei um acordo de divórcio, deixando para ela a casa, nosso carro e 30% das ações da minha empresa.

Ela tomou o papel da minha mão e o rasgou violentamente. A mulher com quem vivi pelos últimos 10 anos se tornou uma estranha para mim. Eu fiquei com dó deste desperdício de tempo e energia mas eu não voltaria atrás do que disse, pois amava a Jane profundamente. Finalmente ela começou a chorar alto na minha frente, o que já era esperado. Eu me senti libertado enquanto ela chorava. A minha obsessão por divórcio nas últimas semanas finalmente se materializava e o fim estava mais perto agora.

No dia seguinte, eu cheguei em casa tarde e a encontrei sentada na mesa escrevendo. Eu não jantei, fui direto para a cama e dormi imediatamente, pois estava cansado depois de ter passado o dia com a Jane.

Quando acordei no meio da noite, ela ainda estava sentada à mesa, escrevendo. Eu a ignorei e voltei a dormir.

Na manhã seguinte, ela me apresentou suas condições: ela não queria nada meu, mas pedia um mês de prazo para conceder o divórcio. Ela pediu que durante os próximos 30 dias a gente tentasse viver juntos de forma mais natural possivel. As suas razões eram simples: o nosso filho faria seus examos no próximo mês e precisava de um ambiente propício para prepar-se bem, sem os problemas de ter que lidar com o rompimento de seus pais.

Isso me pareceu razoável, mas ela acrescentou algo mais. Ela me lembrou do momento em que eu a carreguei para dentro da nossa casa no dia em que nos casamos e me pediu que durante os próximos 30 dias eu a carregasse para fora da casa todas as manhãs. Eu então percebi que ela estava completamente louca mas aceitei sua proposta para não tornar meus próximos dias ainda mais intoleráveis.

Eu contei para a Jane sobre o pedido da minha esposa e ela riu muito e achou a idéia totalmente absurda. "Ela pensa que impondo condições assim vai mudar alguma coisa; melhor ela encarar a situação e aceitar o divórcio" ,disse  Jane em tom de gozação.

Minha esposa e eu não tínhamos nenhum contato físico havia muito tempo, então quando eu a carreguei para fora da casa no primeiro dia, foi totalmente estranho. Nosso filho nos aplaudiu dizendo "O papai está carregando a mamãe no colo!" Suas palavras me causaram constrangimento. Do quarto para a sala, da sala para a porta de entrada da casa, eu devo ter caminhado uns 10 metros carregando minha esposa no colo. Ela fechou os olhos e disse baixinho "Não conte para o nosso filho sobre o divórcio" Eu balancei a cabeça mesmo discordando e então a coloquei no chão assim que atravessamos a porta de entrada da casa. Ela foi pegar o ônibus para o trabalho e eu dirigi para o escritório.

No segundo dia, foi mais fácil para nós dois. Ela se apoiou no meu peito, eu senti o cheiro do perfume que ela usava. Eu então percebi que há muito tempo não prestava atenção a essa mulher. Ela certamente tinha envelhecido nestes últimos 10 anos, havia rugas no seu rosto, seu cabelo estava ficando fino e grisalho. O nosso casamento teve muito impacto nela. Por uns segundos, cheguei a pensar no que havia feito para ela estar neste estado.

No quarto dia, quando eu a levantei, senti uma certa intimidade maior com o corpo dela. Esta mulher havia dedicado 10 anos da vida dela a mim.

No quinto dia, a mesma coisa. Eu não disse nada a Jane, mas ficava a cada dia mais fácil carregá-la do nosso quarto à porta da casa. Talvez meus músculos estejam mais firmes com o exercício, pensei.

Certa manhã, ela estava tentando escolher um vestido. Ela experimentou uma série deles mas não conseguia achar um que servisse. Com um suspiro, ela disse "Todos os meus vestidos estão grandes para mim". Eu então percebi que ela realmente havia emagrecido bastante, daí a facilidade em carregá-la nos últimos dias.

A realidade caiu sobre mim com uma ponta de remorso… ela carrega tanta dor e tristeza em seu coração….. Instintivamente, eu estiquei o braço e toquei seus cabelos.

Nosso filho entrou no quarto neste momento e disse "Pai, está na hora de você carregar a mamãe". Para ele, ver seu pai carregando sua mão todas as manhãs tornou-se parte da rotina da casa. Minha esposa abraçou nosso filho e o segurou em seus braços por alguns longos segundos. Eu tive que sair de perto, temendo mudar de idéia agora que estava tão perto do meu objetivo. Em seguida, eu a carreguei em meus braços, do quarto para a sala, da sala para a porta de entrada da casa. Sua mão repousava em meu pescoço. Eu a segurei firme contra o meu corpo. Lembrei-me do dia do nosso casamento.

Mas o seu corpo tão magro me deixou triste. No último dia, quando eu a segurei em meus braços, por algum motivo não conseguia mover minhas pernas. Nosso filho já tinha ido para a escola e eu me vi pronunciando estas palavras: "Eu não percebi o quanto perdemos a nossa intimidade com o tempo".

Eu não consegui dirigir para o trabalho…. fui até o meu novo futuro endereço, saí do carro apressadamente, com medo de mudar de idéia…Subi as escadas e bati na porta do quarto. A Jane abriu a porta e eu disse a ela "Desculpe, Jane. Eu não quero mais me divorciar".

Ela olhou para mim sem acreditar e tocou na minha testa "Você está com febre?" Eu tirei sua mão da minha testa e repeti "Desculpe, Jane. Eu não vou me divorciar. Meu casamento ficou chato porque nós não soubemos valorizar os pequenos detalhes da nossa vida e não por falta de amor. Agora eu percebi que desde o dia em que carreguei minha esposa no dia do nosso casamento para nossa casa, eu devo segurá-la até que a morte nos separe.

A Jane então percebeu que era sério. Me deu um tapa no rosto, bateu a porta na minha cara e pude ouví-la chorando compulsivamente. Eu voltei para o carro e fui trabalhar.

Na loja de flores, no caminho de volta para casa, eu comprei um buquê de rosas para minha esposa. A atendente me perguntou o que eu gostaria de escrever no cartão. Eu sorri e escrevi:  "Eu te carregarei em meus braços todas as manhãs até que a morte nos separe".

Naquela noite, quando cheguei em casa, com um buquê de flores na mão e um grande sorriso no rosto, fui direto para o nosso quarto onde encontrei minha esposa deitada na cama – morta.
Minha esposa estava com câncer e vinha se tratando a vários meses, mas eu estava muito ocupado com a Jane para perceber que havia algo errado com ela. Ela sabia que morreria em breve e quis poupar nosso filho dos efeitos de um divórcio – e prolongou a nossa vida juntos proporcionando ao nosso filho a imagem de nós dois juntos toda manhã. Pelo menos aos olhos do meu filho, eu sou um marido carinhoso.

Os pequenos detalhes de nossa vida são o que realmente contam num relacionamento. Não é a mansão, o carro, as propriedades, o dinheiro no banco. Estes bens criam um ambiente propício a felicidade mas não proporcionam mais do que conforto. Portanto, encontre tempo para ser amigo de sua esposa, faça pequenas coisas um para o outro para mantê-los próximos e íntimos. Tenham um casamento real e feliz!

Estrela Eterna saudade Estrela
 
                                                                                                    
 

Saudade é a mãe de todas as palavras: a mais forte, a mais contundente, a mais irreversível. Muito mais do que o amor, a morte, a solidão, a noite, a saudade abrange e engole todas as outras palavras e os seus significados. Evocando o passado, mesmo que ele seja recente, a saudade dói sem sangrar, resgata emoções, escancara perdas, desafia a capacidade humana de suportar uma ausência, uma distância, um talvez ou nunca mais. Dirão que é bom sentir saudade, pois ela é uma característica dos vivos. Não, não é bom. Saudade de acontecimento maravilhoso quer dizer que ele já passou e não há prazer que se sustente nesse tipo de equação. Bom mesmo é quando o que ilumina os sentidos está acontecendo, isto mesmo, no gerúndio. Quando tomamos um sorvete, curtimos uma praia, um teleférico, um filme, o lado gostoso é o “durante”. Depois que tudo passa fica a saudade. Essa emoção sem corpo, sem representação concreta, sem cheiro, sem gosto, mas tão carregada de valores. E é aí que o bicho pega, como dizem. Apesar da saudade, muito provavelmente por causa dela, é preciso viver. A saudade é fruto da memória e eis que os neurônios ajudam nesses momentos. Surgem as alternativas, como aquela de recordar emoções e reconstituí-las como se elas fossem reais, ainda que tudo seja uma ilusão. Como se fosse um filme. Outra saída é apelar para a imaginação e recriar palavras ditas e ouvidas, reconstituir declarações, promessas. “Fotografar” com a mente momentos agradáveis também é mais um caminho para exorcizar a saudade: um restaurante japonês, o alto de um morro, uma exposição de Matisse, uma livraria, um chope gelado e a paisagem do mar à distância. O problema é que não há solução natural. Ter saudade da infância jamais levará alguém de volta aos primeiros anos de vida. Morrer de saudade de uma pessoa muito querida não vai transformar nada se você não for até ela ou ela não vir até você. E, nos casos em que a pessoa não existe mais, isto se torna impossível. Quando a pessoa que você quer está em algum lugar, tudo (até mesmo a saudade) é resultado das ações (ou da inércia) de cada um. Diante de tudo isso, há quem não tenha forças para fazer qualquer coisa. Mas há quem consiga ao menos se arrastar em busca de um novo caminho. O jeito é continuar a viver com a maior intensidade possível e acumular experiências que se diluirão no tempo e no futuro só existirão nas lembranças, nas fotos amarelecidas, na saudade. É a lei da vida. A saudade também é poesia, é música, é tristeza, é obra de arte. Enquanto que para uns a única saída é ficar vagando sem rumo pelas ruas nas madrugadas insones, para muitos só resta ouvir a genial canção “Chega de Saudade”, de Tom Jobim e Vinícius de Moraes, na voz de João Gilberto:

“Vai minha tristeza

e diz à ela

Que sem ela não pode ser

Diz-lhe numa prece que ela regresse

Porque eu não posso mais sofrer

Chega de saudade, a realidade é que sem ela

Não há paz, não há beleza, é só tristeza

E a melancolia que não sai de mim, não sai de mim, não sai

Mas se ela voltar, se ela voltar

Que coisa linda, que coisa louca

Pois há menos peixinhos a nadar no mar

Do que os beijinhos que eu darei na sua boca

Dentro dos meus braços os abraços hão de ser milhões de abraços

Apertado assim, colado assim, calado assim

Abraços e beijinhos e carinhos sem ter fim

Que é pra acabar com esse negócio de viver longe de mim

Não quero mais esse negócio de você viver assim

Vamos deixar desse negócio de você viver sem mim”